Entrei no carro e me sentei bem desconfortavelmente para não amassar o vestido. O motorista tinha deixado uma caixinha com lanche, caso eu sentisse fome. Foi muito gentil, mas eu já estava super ansiosa e só aceitei um chiclete.
Ele ligou o rádio, não mexeu na estação, não tinha CD. Era por puro acaso do destino que estava tocando Twist and Shout, dos Beatles. Eu soltei um "ai, meu Deus!" e ele perguntou se eu queria que trocasse a estação. Eu disse: "De jeito nenhum. Isso é Beatles. As músicas da minha cerimônia são deles." Ele respondeu: "Sério? Hoje é seu dia mesmo!"
Fiquei muito empolgada, cantando junto e doida pra chegar logo. Trinta
infinitos minutos depois alcançamos a Mansão Boullevard. Primeiro, vi uma fila de carros entrando no estacionamento. Passamos ao lado da fila e vi a entrada. Tinha uma fila enorme de gente. Pedi ao motorista que não parasse - porque ninguém podia me ver - e liguei desesperada para a minha cerimonialista. "O decorador ainda não terminou, vai dar umas voltas no quarteirão", ela disse. Quase tive um ataque. Liguei para o Fred: "Está todo mundo do lado de fora, pelarmordedeus, obriga alguém a abrir a porta". E ele: "o decorador está terminando".
Fiquei impressionada com a pontualidade dos meus convidados e o fato de o decorador não ter terminado a arrumação dentro do prazo me fez temer por uma sequência de falhas que pudesse levar ao total desastre da noite.
De repente, o rádio voltou a cooperar comigo. Começou a tocar While my guitar gently weeps, dos Beatles. Como essa música não é tão popular e já era a segunda música deles que tocava no rádio em 40 minutos, eu pensei que poderia haver algo conspirando ao meu favor. Liguei novamente para o Fred e ele me avisou que a porta estava aberta e as pessoas já se acomodavam nas cadeiras da cerimônia.
O Boullevard tem uma escadaria linda, por onde eu ia descer para a cerimônia, então o motorista parou o carro numa porta lateral, por onde eu teria acesso à parte de cima sem que ninguém me visse.
Assim que subi para o camarim, minha mãe, toda aprontada, me aguardava com um ferro a vapor para passar o vestido no meu corpo mesmo. Como o tecido da saia era uma seda, ficou muito amarrotado da sessão de fotos e do tempo no carro. O ferro funcionou, mas aí eu precisei ficar em pé os quarenta minutos seguintes esperando começar a cerimônia... Fiquei aguardando a minha grande hora na companhia da fotógrafa e da cerimonialista.
Eu queria que começasse logo, mas ainda tinha alguns convidados entrando vagarosamente, um casal de padrinhos do Fred que
não tinha chegado ainda e um casal de padrinhos meus que estava lá, porém tranquilamente acomodados
no meio dos convidados nas cadeiras e todo mundo achando que eles não tinham chegado...
A porta principal do Boullevard
A Paula, minha cerimonialista, dando as últimas instruções
E enquanto eu morria de agonia com a espera lá em cima, porque só eu entraria pelas escadas, embaixo todos se cumprimentavam e se organizavam para as outras entradas.
De repente, começa a primeira música. Ela ressoou alta e linda. Tremi. Eu queria ver de todo jeito o meu casamento. Então, com ajuda da fotógrafa, arrumei um canto pra espiar...
Notei, suando frio e com o coração disparado, que meu pai já estava posicionado ao pé da escada me esperando.
Dicas:
* Sejam duros com os padrinhos quanto ao horário. Eles devem chegar antes da hora marcada para o início da cerimônia e devem se identificar para a cerimonialista ou pessoa responsável pela organização da fila de entrada.
* Não fique sem celular. Pode ter algum imprevisto do qual você precise ser avisada. Ou talvez você precise esclarecer algo que parece errado para se sentir mais calma, como aconteceu comigo.
* Caso seu vestido seja de algum tecido que amarrota fácil, tenha um aparelho de passar
desse aqui disponível em algum esconderijo.